Senado aprova voto de pesar por Doryval Borges

O senador César Borges (PR-BA) aprovou hoje (02) no Senado voto de pesar pela morte do jequieense Doryval Borges, ocorrida em Brasília, onde estava radicado há várias décadas e exerceu atividades profissionais e intelectuais. No voto de pesar, o senador César Borges, seu sobrinho, diz que Doryval foi “um dos pioneiros que para Brasília vieram para ajudar a implantar o sonho místico de dom Bosco e o sonho cívico de Juscelino Kubitschek no Planalto Central do Brasil”.
Em Brasília, segundo narra César Borges, seu tio foi um marchand e dono de galeria, tendo organizado memoráveis exposições de arte no Hotel Nacional, “trazendo para a capital brasileira os mais notáveis artistas plásticos nacionais”. Como escritor, foi acadêmico fundador da Academia de Letras de Jequié, onde ocupava a cadeira de número quatro. Já em Brasília, em 1964, foi Sócio Fundador e Primeiro Secretário do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal.
Considerado um político “carismático”, Doryval Borges teve uma rápida ascensão em Jequié, onde disputou uma eleição de prefeito, mas logo após se mudou para Brasília, levado pelo Banco Nacional. A política, entretanto, não foi colocada de lado, porque Doryval Borges foi governador do Lyons Clube de Brasília, o que o levou ao encontro de presidentes da República. Também esteve ao lado do então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, na luta pela implantação do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização).
O destino também o levou a ajudar o então ministro Darcy Ribeiro na viagem que determinou o seu exílio, motivado pela implantação do regime militar. Também foi assim que recebeu em sua residência a primeira-ministra da Índia, Indira Gandhi, que desejou conhecer um advogado em Brasília sobre o qual ouviu dizer que era tão grande admirador do fundador da Índia Moderna, Mahatma Gandhi, que até mesmo batizou a sua residência de “Vila Gandhi”.
Segundo César Borges, “Doryval, meu tio, foi um construtor de sonhos, como tantos que vieram para Brasília, com uma têmpera que hoje vemos escassear pelo pragmatismo que tomou conta de todos”. Por isto, lembrou o empenho na luta contra o analfabetismo, também provocado pelo amor que Doryval Borges tinha aos livros. Ao encerrar seu voto de pesar, César Borges lembrou uma frase muito citada pelo tio, do escritor americano Aldoux Huxley: “a vida é tão curta e os livros são tantos”.
Para baixar uma cópia do Requerimento Original apresentado pelo senador César Borges clique aqui.

