3 de Março de 2009

Omissão do governo baiano no combate à dengue

Publicado por Assessoria de Comunicação em Direto da Redação

CombateDengue - Combate a Dengue na Bahia

O senador César Borges cobrou na terça-feira passada “medidas drásticas” por parte do governo baiano contra a epidemia de dengue que em apenas dois meses, já provocou ao menos 10 mortes e 11 mil casos na Bahia. Ele criticou pronunciamento do governador Jaques Wagner em rádio sobre a dengue e disse que o Ministério da Saúde alertou duas vezes para a possibilidade de epidemia da doença na Bahia, sem que o governo tomasse providências firmes.


No programa “Conversa com o Governador”, o governador da Bahia pede à população “para não deixar água empoçada ou tanque de água descoberto”. Para o senador, o pedido é atrasado: “Estaria tudo certo se essa não fosse uma epidemia anunciada. Seria muito razoável em épocas normais. Mas, agora, já no meio da epidemia, pede que os baianos tomem estas providências! Ele deveria estar anunciando medidas de políticas públicas drásticas para cessar as mortes no estado da Bahia”, afirmou César Borges.


Segundo César Borges, o Ministério da Saúde apresentou dois documentos, em abril e novembro do ano passado, alertando que a Bahia estaria vulnerável a uma epidemia de dengue durante o verão 2008/2009. Um dos documentos é o Informe Epidemiológico da Dengue, janeiro a abril de 2008, em que se compara o número de casos notificados em 2008 com o mesmo período de 2007. O Informe alertava para ameaça de epidemia de dengue em 16 estados, entre eles a Bahia, onde a doença cresceu 245% no período com o maior número de casos notificados.


O outro documento, o Levantamento Rápido de Índice de Infestação para o aedes aegypti, foi apresentado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em novembro passado, com cinco cidades no País em risco vermelho para epidemia de dengue, entre elas, duas da Bahia, Camaçari e Itabuna. “Infelizmente, muito pouco, para não dizer nada, foi feito, e hoje os baianos têm a lamentar essas mortes, que poderiam ter sido evitadas, inclusive de crianças em sua maioria, o que torna o fato ainda mais triste”, afirmou.


Para César Borges, “a população tem que ser esclarecida, tem que colaborar, mas num momento desses, de epidemia, não podemos colocar a responsabilidade sobre os ombros apenas da população”. Seu pronunciamento ganhou apoio de diversos senadores. Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) lamentou que o governo estadual não conseguisse “sequer reconhecer a doença para combatê-la”. Augusto Botelho (PDT-RR) disse que a dengue tornou-se uma doença muito grave e que o caso da Bahia ameaça outros estados.


Dois dias após o discurso do senador, finalmente o governador Jaques Wagner decretou estado de emergência em sete cidades por conta da infestação de dengue. O decreto inclui na área de emergência os municípios de Itabuna, Ilhéus, Ipiaú, Irecê, Jacobina, Jequié e Porto Seguro, que passarão a receber medidas de contenção da proliferação do mosquito e atendimento especial para os doentes em trabalho conjunto da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e da Coordenação de Defesa Civil do Estado (Cordec).

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