Governo não comprará bancos públicos, assegura Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou hoje (30) no Senado que o governo federal não comprará bancos públicos através dos instrumentos da MP 443, respondendo ao senador César Borges (PR/BA), que questionou os limites desta medida provisória. “Concordo quando o senador César Borges diz que a 443 é a medida mais polêmica, e que poderia dar a idéia de favorecer a estatização, mas ela não será utilizada para comprar bancos públicos”, assegurou.
Continuando a resposta, o ministro da Fazenda disse que o governo tem agido de acordo com o agravamento da crise, mas também manifestou sua crença de que o crescimento do PIB será mantido. “Gostaria de esperar um pouco mais para ter uma definição mais clara sobre o crescimento do país”, explicou, ante a preocupação de César Borges de que muitos analistas já prevêem um crescimento por volta de 1% este ano para o país, apesar do otimismo oficial.
Mantega foi recebido no Senado, junto com o presidente do Banco Central, Henrique Meireles, para debater na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) as medidas anti-crise em implantação no país. César Borges pediu aos dois que as medidas privilegiem cortes nos gastos correntes, em lugar de atingir investimentos. “Vamos preservar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que são importantes para o país crescer nesta crise”, afirmou o senador.
Ao presidente do Banco Central, César Borges pediu que a política de juros combine a manutenção da atividade econômica do país com o controle da inflação. “Este é um dilema para o BC. Sabemos que, se os juros aumentarem, a economia poderá acentuar a dificuldade de liquidez das empresas e agravar a crise; se os juros afrouxarem, talvez o fantasma da inflação retorne”, afirmou. Ele também lembrou que o BC não pode ser tolerante com a má administração dos bancos.
Henrique Meireles confirmou que este tem sido o dilema dos bancos centrais, nesta fase crítica da economia mundial, e que muitos têm se preocupado com a liquidez. “Não que o Banco Central vá abandonar o controle da inflação, mas sabemos que é preciso levar em conta outros fenômenos”, explicou. Meireles ainda adiantou que, na próxima semana, o Banco Central publicará a ata da última reunião do Copom, esclarecendo com detalhes como será este controle.